Labirintite:
sintomas, causas
e diagnóstico
Labirintite:
sintomas, causas
e diagnóstico
Uma tontura passageira, a sensação de desequilíbrio ou um episódio de vertigens são sintomas que muitas pessoas desvalorizam, encarando-os como algo passageiro ou sem importância. No entanto, sinais como estes podem indicar a presença de labirintite, uma condição que afeta o ouvido interno.
E como estes sintomas são comuns a outros problemas de saúde, a labirintite também pode ser confundida com outras condições, atrasando-se o diagnóstico e o tratamento adequado. Por isso, conhecer os seus sinais de alerta e possíveis causas são os primeiros passos para agir atempadamente e cuidar da sua saúde auditiva.
O que é a labirintite?
Para entender o que é a labirintite, é necessário começar por compreender o que é o labirinto. Localizado no nosso ouvido interno, esta é uma estrutura composta por duas partes: a cóclea e o sistema vestibular, desempenhando um papel fundamental na nossa audição e equilíbrio, respetivamente. Quando esta estrutura é comprometida, o corpo sente as suas consequências.
É o caso da labirintite, uma inflamação que pode afetar um ou ambos os ouvidos. Ao inflamar, o labirinto deixa de transmitir corretamente ao cérebro as informações relacionadas com a posição do corpo, originando sintomas como tonturas e vertigens. Já quando a inflamação afeta a cóclea, podem surgir alterações temporárias na audição.
Tipos de labirintite
Apesar de os seus sintomas serem semelhantes, nem todos os casos de labirintite têm a mesma causa. Dependendo da sua origem, esta condição é classificada em diferentes tipos. Conheça os três principais.
Labirintite viral
A labirintite viral é a forma mais comum desta condição, surgindo de forma congénita ou adquirida. Ocorre quando uma infeção por vírus provoca uma inflamação no ouvido interno e, como consequência, surgem sintomas como vertigens, tonturas e, em alguns casos, alterações na própria audição. Entre as principais causas virais encontram-se episódios gripais ou até sarampo.
Embora os sintomas sejam frequentemente temporários e a maioria das pessoas recupere sem complicações, é importante procurar avaliação médica para determinar os próximos passos e encontrar o tratamento mais adequado.1
Labirintite bacteriana
Ao contrário da labirintite viral, a labirintite bacteriana é menos frequente, sendo geralmente associada a infeções como a otite média ou a meningite. Em traços gerais, esta pode manifestar-se de duas formas. De um lado, a labirintite supurativa, na qual as bactérias invadem diretamente o labirinto. Já a labirintite serosa ocorre quando existe uma inflamação do labirinto provocada pelas toxinas libertadas pelas bactérias, sem que estejas atinjam diretamente o ouvido interno.1
Ainda que as formas virais e bacterianas sejam as mais comuns, também existe a labirintite autoimune, uma variante rara desta condição. Neste caso, é o próprio sistema imunitário que ataca, por engano, as estruturas do ouvido interno, podendo ocorrer de forma isolada ou estar associada às próprias doenças autoimunes.1
Quais são os sintomas da labirintite?
Independentemente da sua origem, a labirintite manifesta-se através de um conjunto de sintomas comuns:2
- Alterações no equilíbrio, tonturas e vertigens.
- Visão desfocada.
- Diminuição ou perda de audição.
- Sensação de enjoo e vómitos.
- Zumbidos.
- Dificuldades em manter a atenção.
- Nistagmo (movimentos oculares involuntários).
O que diferencia a labirintite de outras condições
Quando surgem vertigens ou tonturas, é comum associar-se estes sinais à labirintite. Contudo, esta não é a única condição a provocar este conjunto de sintomas. Exemplo disso é a neurite vestibular que, afetando unicamente o nervo vestibular, impacta o equilíbrio e causa vertigens, mas não se reflete na audição. Por sua vez, a doença de Ménière também tem características comuns, apresentando sintomas como dificuldades auditivas, vertigens e zumbidos. No entanto, esta doença surge pelo excesso de líquido no ouvido interno.2
Quem tem maior risco de desenvolver labirintite?
A labirintite pode afetar qualquer pessoa, mas existem fatores de risco que aumentam essa probabilidade. Entre eles está a idade, sendo que a labirintite viral é mais provável de acontecer em adultos com idades compreendidas entre os 30 e os 60 anos1.
Além disso, cenários como infeções respiratórias, alergias, tabagismo, consumo excessivo de álcool, fadiga e períodos de stress também favorecem o seu aparecimento. Em alguns casos, certos medicamentos também podem ser o fator de desenvolvimento.2
Como é feito o diagnóstico de labirintite?
Perante a variedade e a intensidade dos sintomas, é fundamental procurar avaliação profissional assim que estes surgirem. Como podem estar associados a outras condições de saúde, o diagnóstico passa por uma abordagem transversal de fatores como o histórico clínico, exames físicos e avaliação do equilíbrio.
Por outro lado, a avaliação da audição também desempenha um papel importante neste processo. Para isso, pode ser realizada uma audiometria, cujo objetivo é verificar se existe perda auditiva e determinar qual é o seu grau.
Como lidar com a labirintite?
A forma de lidar com a labirintite depende da causa que está na origem da inflamação e, por isso, cada caso exige uma abordagem individualizada. Após o diagnóstico, poderá ser prescrita medicação, como antivirais ou antibióticos, dependendo da origem da doença. A fisioterapia de reabilitação vestibular também pode ser recomendada para ajudar o organismo a recuperar a sua estabilidade.
Já em casa, pode adotar medidas simples para aliviar o desconforto e favorecer a recuperação, como reduzir o consumo de álcool, aplicar compressas mornas sobre a orelha e recorrer a técnicas de relaxamento, como a meditação2.
Como prevenir crises de labirintite?
A prevenção da labirintite nem sempre é um processo linear, já que esta condição pode estar associada a diferentes causas. No entanto, como a inflamação do ouvido interno está na origem da doença, adotar alguns cuidados pode ajudar a reduzir o risco de aparecimento.
Redobrar os cuidados durante a época das infeções respiratórias, gerir o stress e prezar por um estilo de vida mais saudável são alguns dos comportamentos que podem fazer a diferença.
Perguntas frequentes
De uma maneira geral, a labirintite não é considerada uma doença grave. No entanto, os seus sintomas podem ser bastante intensos, interferindo com o equilíbrio e, em alguns casos, na audição. Por isso, é importante procurar aconselhamento profissional logo aos primeiros sinais.
Sim, a labirintite é uma condição que pode ser tratada e, na maioria dos casos, a sua recuperação é total. Para tal, a causa desta condição deve ser diagnosticada atempadamente.
Não, a labirintite não é considerada uma doença hereditária. Contudo, existem condições associadas ao seu desenvolvimento que apresentam uma predisposição genética, como as doenças autoimunes.
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