Idadismo: o que é, os tipos e como combater?
O que é o idadismo?
O termo idadismo, também conhecido por etarismo ou ageísmo, refere-se ao preconceito ou discriminação contra indivíduos ou grupos com base na sua idade. Este preconceito pode assumir várias formas: o tratamento diferenciado ou mesmo a exclusão de pessoas por serem consideradas “velhas demais” ou “jovens demais”.
Na prática, o idadismo é mais comum entre as pessoas mais velhas e pode estar presente no local de trabalho, nas interações pessoais e até em serviços de saúde.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou o idadismo como uma questão social significativa, destacando que afeta a saúde mental e física dos indivíduos, além de contribuir para uma maior exclusão social.
Estudos da OMS mostram que o idadismo tem um impacto negativo direto na confiança, no bem-estar psicológico, na situação financeira e na qualidade de vida.
Segundo esta organização, a discriminação por idade é uma barreira ao desenvolvimento de uma sociedade onde todos possam viver de forma digna e inclusiva, independentemente da idade.
A importância de compreender o idadismo
É fundamental compreender como o idadismo influencia as relações interpessoais, as oportunidades de trabalho e a vida em comunidade. Muitas pessoas mais velhas sentem-se invisíveis, dispensáveis ou até menos valorizadas devido à sua idade, o que leva a sentimentos de isolamento e baixa autoestima.
Por outro lado, os jovens também podem enfrentar idadismo em diferentes circunstâncias, como sendo considerados imaturos ou inexperientes, o que os pode excluir de determinadas oportunidades ou impedir o seu crescimento e desenvolvimento.
Tipos de idadismo
De acordo com a Medical News Today, o idadismo pode ser dividido em três categorias principais, dependendo de como e onde ele ocorre:
- Idadismo institucional: surge dentro de organizações ou instituições, onde as políticas e práticas discriminatórias promovem ou reforçam estereótipos etários. Por exemplo, empresas que evitam contratar trabalhadores mais velhos, por assumirem que estes têm menos capacidade para aprender novas habilidades ou que são menos produtivos;
- Idadismo interpessoal: ocorre nas relações entre pessoas e interações diárias, quando alguém trata outra pessoa de forma diferenciada ou preconceituosa, por causa da idade. Por exemplo, evitar incluir alguém mais velho em conversas ou atividades sociais, devido a uma suposição infundada de que ela não entenderá ou não terá interesse;
- Idadismo internalizado: neste tipo de preconceito, a própria pessoa começa a adotar e aplicar a si mesma os estereótipos negativos sobre a idade. Isto pode levar, por exemplo, a que uma pessoa mais velha acredite que já não é capaz de aprender novas habilidades ou a assumir que deve abandonar determinados passatempos por considerar que são apenas “para jovens”.
Preconceitos e exemplos reais
Infelizmente, o idadismo está presente em diversas esferas da sociedade. Aqui estão alguns exemplos de preconceito com base na idade, que muitas vezes passam despercebidos:
- Ambiente de trabalho: muitos empregadores hesitam em contratar ou manter empregados mais velhos, acreditando que estes são menos produtivos ou que não se adaptam às novas tecnologias;
- Acesso a serviços financeiros: pessoas mais velhas podem encontrar dificuldades ao tentar obter créditos, empréstimos ou seguros. Algumas instituições financeiras assumem que uma pessoa mais velha representa um “risco” e, por isso, recusam-se a conceder esses serviços ou aplicam condições menos favoráveis;
- Assistência médica: na área da saúde, muitos profissionais assumem que sinais relatados por pessoas mais velhas são “parte do envelhecimento” e desvalorizam queixas que podem ser sinais de condições sérias;
- Comportamento social: na vida social, as pessoas mais velhas podem ser tratadas de forma paternalista, como se fossem menos capazes de entender ou participar de discussões, o que reforça a exclusão e o isolamento.
Dados sobre o idadismo
Segundo a OMS, uma revisão apontou que cerca de 1 em cada 6 pessoas com mais de 60 anos já sofreu algum tipo de abuso, seja ele emocional, físico, sexual ou financeiro. Estes números são alarmantes e mostram que o idadismo não é apenas uma questão de “comportamentos”, mas que pode ter efeitos graves e duradouros na vida das pessoas.
Consequências
Além do impacto social, o idadismo afeta diretamente o bem-estar de quem passa por estes preconceitos. Estudos demonstram que o idadismo está associado a uma menor expectativa de vida, maior incidência de doenças cardiovasculares, declínio cognitivo e maior risco de depressão e ansiedade.
Pessoas que experienciam o idadismo são mais propensas a desenvolver uma visão negativa do envelhecimento, o que pode contribuir para problemas de cariz físico e mental.
Como combater o idadismo?
Para combater o idadismo, é essencial mudar a forma como a sociedade encara a idade. A Organização Mundial da Saúde sugere várias medidas práticas para lidar com esta questão:
- Educação e sensibilização pública: promover campanhas que informem o público sobre os efeitos do idadismo e desmistifiquem estereótipos negativos. As campanhas podem ser direcionadas a todos os grupos etários e ter como objetivo ensinar que o envelhecimento é uma parte natural e valiosa da vida.
- Intervenções intergeracionais: criar iniciativas que unam pessoas de diferentes idades, como programas de mentoria entre jovens e adultos mais velhos. Estas atividades incentivam a empatia e ajudam a criar laços de respeito e compreensão mútua, promovendo uma sociedade mais inclusiva;
- Legislação e políticas anti-idadistas: a criação de leis que proíbam a discriminação etária, tanto no local de trabalho como em outros setores, pode ser uma medida eficaz. Além disso, regulamentações que garantam um tratamento igualitário em serviços financeiros, de saúde e de lazer, independentemente da idade, são passos fundamentais para eliminar o preconceito etário;
- Participação comunitária: incentivar a participação de pessoas mais velhas na vida comunitária, ajudando-as a manter-se socialmente ativas. Espaços e atividades que promovam a inclusão, como centros culturais e clubes desportivos, são essenciais para garantir que todos, independentemente da idade, tenham acesso a uma vida social ativa;
- Promover exemplos positivos de envelhecimento: mostrar exemplos de pessoas mais velhas que continuam a aprender, trabalhar, ou a seguir as suas paixões é uma forma poderosa de combater o idadismo. Ao mostrar que a idade não é uma barreira, desafiam-se os preconceitos e mostra-se à sociedade uma imagem mais verdadeira e inspiradora do envelhecimento.
Conclusão
O idadismo é um problema real e muito prevalente na nossa sociedade. Combatê-lo é uma responsabilidade coletiva, que passa pela sensibilização, educação e promoção de políticas inclusivas. Ao desafiar os estereótipos e preconceitos em torno da idade, estamos a construir uma sociedade onde todos podem envelhecer com dignidade, respeito e oportunidades iguais.
Fontes:
https://www.who.int/news-room/questions-and-answers/item/ageing-ageism
https://www.medicalnewstoday.com/articles/ageism
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35434202/
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31940338/