Síndrome vertiginoso: o que os sintomas lhe estão a tentar dizer

Mulher com expressão de desconforto e mão na cabeça, com síndrome vertiginoso

Desequilíbrio, náuseas ou sensação de ouvido tapado? Estas são apenas algumas das sensações associadas ao síndrome vertiginoso, afetando a autonomia e a confiança de quem as vive.

Contudo, ainda que o seu nome possa induzir em erro, o síndrome vertiginoso não é uma doença. Este nada mais é que um conjunto de sintomas com diferentes origens. Por isso, mais do que aliviar o desconforto, é fundamental compreender as causas por trás destas perturbações do equilíbrio.

Seja devido a alterações no ouvido interno ou até ao próprio stress, existem diversos fatores associados e só uma avaliação individualizada para identificar a intervenção mais adequada.

Para saber mais, continue a ler o artigo e conheça os sintomas e causas mais comuns de síndrome vertiginoso.

Síndrome vertiginoso – o que é

Graças ao sistema vestibular, o ouvido é um dos principais responsáveis pelo nosso equilíbrio, aliando-se à visão e ao cérebro para nos manter orientados no espaço.

No entanto, o equilíbrio do corpo pode ser afetado por diferentes causas, originando sensações como tonturas ou instabilidade. É neste contexto que surge o síndrome vertiginoso, um conjunto de sintomas associados a alterações na perceção do movimento e da posição no espaço, incluindo as próprias vertigens.

Estas alterações podem ser habituais, especialmente com o avançar da idade, aumentando os riscos de queda. Na verdade, estima-se que as vertigens afetem cerca de 30% das pessoas com mais de 60 anos, podendo chegar aos 50% após os 85 anos.1

Sintomas de síndrome vertiginoso

Embora seja um quadro relativamente comum, reconhecer os sintomas é fundamental para que o síndrome vertiginoso e a sua origem sejam devidamente identificados. Entre os sinais mais frequentes, destacam-se:

  • Tonturas e vertigens, intensificadas ao caminhar, mudar de posição ou com movimentos da cabeça;
  • Dificuldade em manter o equilíbrio;
  • Enjoos, por vezes acompanhados de vómitos;
  • Alterações na audição, podendo apresentar dificuldade em ouvir, zumbidos ou sensação de ouvido tapado;
  • Visão turva com dificuldade em focar;
  • Movimentos involuntários dos olhos;
  • Transpiração excessiva;
  • Sensação de desmaio;
  • Perda de força num dos braços ou pernas;
  • Cansaço e dificuldades de concentração.

Qual é a relação entre síndrome vertiginoso e audição?

O ouvido não é apenas responsável pela audição, estando igualmente relacionado com o seu equilíbrio. Por isso, o síndrome vertiginoso pode surgir quando existe alguma alteração no ouvido interno, uma parte fundamental do desempenho destas funções.

Todavia, o síndrome vertiginoso não se limita a esta origem e pode resultar de outros fatores.

Causas de síndrome vertiginoso

O síndrome vertiginoso não tem sempre a mesma causa, sendo geralmente dividido em dois grandes grupos que ajudam a explicar estes sintomas.

De um lado, destaca-se o síndrome vertiginoso periférico, diretamente associado a alterações no ouvido interno. Por outro lado, o síndrome vertiginoso central surge do sistema nervoso central, podendo representar sintomas mais complexos.

Dependendo do tipo, existem várias causas associadas a cada um dos grupos. Por isso, é importante analisar cada situação individualmente.

Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB)

Popularmente conhecida como doença dos cristais, a VPPB é uma das causas mais frequentes destes sintomas, sendo considerada a mais comum de síndrome vertiginoso periférico.

Isto acontece porque pequenos depósitos de cálcio no ouvido interno (conhecidos como otólitos, otocónias ou, usualmente, cristais nos ouvidos), se deslocam indevidamente. Neste caso, os episódios tendem a ser breves, mas intensos, surgindo especialmente ao mudar a posição da cabeça, como ao deitar e ao levantar.2

Doença de Ménière

A doença de Ménière também figura na lista de causas mais comuns do síndrome vertiginoso. Esta é uma condição crónica, na qual existe uma acumulação excessiva de líquido no ouvido interno. Daqui resultam ocorrências de vertigem periférica, que pode ser acompanhada de zumbido e possível perda auditiva.2

tontura-sindrome-meniere

Neurite vestibular

A neurite vestibular, ou nevrite vestibular, é a segunda causa mais comum de síndrome vertiginoso periférico. Enquanto uma inflamação do nervo vestibular, caracteriza-se por sintomas intensos de vertigem.2

Labirintite

O ouvido interno também pode ser vítima de uma infeção, a labirintite, que pode conduzir a síndrome vertiginoso. Neste caso, os sintomas de labirintite associados a este cenário tendem a ser repentinos, marcados por tonturas fortes e perda auditiva.2

Barotraumatismo

Alterações bruscas de pressão, como as que ocorrem durante uma viagem de avião, podem causar lesões no ouvido, conhecidas como barotrauma. Nestes casos, pode surgir um quadro de síndrome vertiginoso, em que a vertigem é um dos sintomas mais comuns.

Otites

Enquanto possíveis responsáveis por infeções no ouvido médio e no ouvido interno (labirintite), as otites afetam diferentes partes do ouvido e, consequentemente, podem desencadear episódios de síndrome vertiginoso. Além de vertigens, os sintomas podem incluir dor no ouvido e náuseas.

Acidente Vascular Cerebral (AVC)

Quando o AVC interrompe o fluxo de sangue para o cérebro e reduz o fornecimento de oxigénio às células, podem surgir sinais de síndrome vertiginoso, como vertigens e visão turva.

Enxaqueca

A enxaqueca vestibular é uma forma de enxaqueca em que as alterações do sistema do equilíbrio estão no centro dos sintomas. Pode ser uma causa de tonturas e de outros sinais característicos de síndrome vertiginoso como náuseas.2

Stress

O síndrome vertiginoso também pode surgir em contextos de stress, estando frequentemente associado a episódios de enxaqueca 2, desencadeando sintomas como tonturas e falta de equilíbrio. Em alguns casos de síndrome vertiginoso por stress, este cenário pode estar associado à labirintite emocional.

Quanto tempo duram os sintomas de síndrome vertiginoso?

A resposta a esta questão não é direta. A duração de síndrome vertiginoso varia significativamente, estando intrinsecamente ligada à causa que desencadeia os episódios.

Nesse sentido, a identificação da origem é essencial para perceber como os sintomas podem evoluir.

  • Curta duração: episódios que duram segundos até poucos minutos, geralmente acontecem em casos de Vertigem Posicional Paroxística Benigna.
  • Média duração: pode demorar minutos ou até algumas horas, característico de episódios associados a síndrome de Ménière.
  • Longa duração: indica casos mais intensos, como a neurite vestibular, podendo levar vários dias para os sintomas passarem.2

Síndrome vertiginoso tem cura?

O síndrome vertiginoso pode desaparecer, muitas vezes sem necessitar de intervenção. Contudo, a sua resolução depende diretamente da causa subjacente. Em alguns casos, os sintomas desaparecem naturalmente, mas noutros pode ser necessário recorrer a uma abordagem específica para controlá-los.

Como tratar síndrome vertiginoso

Não existe uma solução única para todos os casos de síndrome vertiginoso. Ainda assim, há diferentes formas de intervenção ajustadas à causa dos sintomas.

Trazemos o exemplo da VPPB, na qual podem ser aplicadas manobras específicas, como a de Epley3. Já em situações como a labirintite, pode ser necessário recorrer à medicação para aliviar os sintomas. Noutros casos, a recuperação acontece de forma natural e gradual. Por isso, é essencial ter o acompanhamento de um profissional de saúde, ajustado a cada situação.

E embora não substituam o tratamento, algumas atitudes no quotidiano podem ajudar a reduzir o desconforto, como descansar adequadamente, não ter movimentos repentinos e fazer exercício físico.

Conclusão

Apesar de muitas vezes ser associado apenas a vertigens, o síndrome vertiginoso é, na verdade, uma condição mais complexa, com diferentes causas e manifestações. Acima de tudo, é importante reter que a evolução depende do fator desencadeante e só assim é possível determinar qual o melhor caminho para mitigar sintomas e o desconforto associado.

Fontes:

  1. https://www.frontiersin.org/journals/neurology/articles/10.3389/fneur.2015.00144/full
  2. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3096243/
  3. A manobra de Epley é uma técnica que envolve uma sequência de movimentos feitos na cabeça para reposicionar os cristais no ouvido.
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